Prezados amigos, Da Caserna ao Cárcere é uma obra que permite conhecer profundamente o início da repressão política na Primeira República, no Brasil. O trabalho acompanha a trajetória vivida por militares que, na década de 20, do século passado, decidiram rebelar-se em nome da moralização da República, da respeitabilidade à sua condição de militares e, por extensão, à instituição na qual estavam inseridos: o Exército. Conta com a consulta de mais de 5 mil documentos de diversos órgãos de pesquisa, dentre eles o APERJ (Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro), o AHEx (Arquivo Histórico do Exército), o DPHDM (Departamento de Patrimônio Histórico da Marinha), MHEx e FC (Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana), CPDOC – FGV (Centro de Documentação Histórica da Fundação Getúlio Vargas) e APESP (Arquivo Público do Estado de São Paulo). Nesses arquivos, a partir de cartas das prisões e do exílio (dentre outras cedidas por familiares), além de relatórios de ministros, biografias, fotos e entrevistas (também com familiares), sobre o período em que passaram por situações de perseguição, prisão e tortura, o percurso feito pelos militares revoltosos entre o primeiro levante armado, em 1922, e a Revolução em 1930, foi pesquisado, expondo o processo que levou à Revolução de 30. Ao longo da trajetória dos militares revoltosos, perceber-se-á a formação de uma identidade profissional pautada num forte ethos militar, seguida de uma reelaboração desta, que se transforma em uma identidade revoltosa, pois lutam durante oito anos, combatendo as forças legais por todo o país. Em cinco destes oito anos, o Brasil foi governado sob um estado de exceção que, além de promover a suspensão de todos os direitos políticos, enviou aos cárceres da Primeira República militares, operários, advogados e jornalistas, entre outros indivíduos sem culpa formada, como presos políticos, ora para presídios, ora para ilhas e campos de desterro, ou mesmo para o exílio. Como resultado dos momentos de tortura física e psíquica, vivenciados nas inúmeras prisões pelas quais passaram, e da perseguição, àqueles que fugiam ou se exilavam, forjaram uma identidade rebelde pautada na amizade e auxílio mútuo. Dessa forma, ao contrário do esperado pelo governo, houve, então, um fortalecimento na resistência dos revoltosos, culminando na Revolução de 30. O trabalho termina por revelar, nas entrelinhas da história, os modelos de punição existentes no Brasil, direcionados àqueles que fizessem oposição ao governo, estando, tanto os militares revoltosos como os demais atores mencionados, submetidos a uma ditadura civil que delegou à Polícia Política, inaugurada neste período, e às Forças Armadas, a incumbência de punir membros da sociedade civil juntamente com os militares revoltosos. Para tanto é analisada a criação da 4ª Delegacia de Polícia Política, a primeira delegacia especializada em crimes políticos, no Brasil, além de ser feito um levantamento das principais prisões da década de 20-30, por onde passaram os presos políticos, durante 8 anos. São revelados dados que vão desde o corpo de diretores, funcionários, até o detalhamento físico das instalações prisionais, narrando a rotina desses estabelecimentos, navios-prisões, ilhas e campos de desterro, a partir do depoimento dos próprios encarcerados. A pesquisa mostra, ainda, um levantamento nominal de autoridades e prisioneiros e, principalmente, o relato desses últimos, acerca de arbitrariedades judiciais e das práticas de tortura. São 1065 nomes de revoltosos, que passaram pelas prisões (ver anexo), estando, entre eles, operários, intelectuais, de um modo geral, e militares. É uma história que precisa ser contada, pois complementa a História do Brasil e, mais que isso, mostra como os modelos de punição aos movimentos sociais foram organizados, no Brasil, considerando-se que este período inaugura uma instituição responsável pela repressão política. Pode-se fazer tal assertiva haja vista o fato de que a 4ª Delegacia de Polícia Política transforma-se, em 1905 em Delegacia Especial de Segurança Política e Social (DESPS); em seguida, em 1944, sofre uma reformulação mudando seu nome para Divisão de Polícia Política e Social (DPS); e, em 1962, converte-se no Departamento de Ordem Política e Social do Estado da Guanabara (DOPS).
https://livrosdapaco.com.br/detalhes_produto.php?cod_produto=304

Nenhum comentário:
Postar um comentário